
Descobri o que mais me incomoda.
Para além de que me toquem nos ombros, claro...
Descobri o pior defeito que alguém pode ter, para mim.
Ser cobarde.
Não há nada pior e mais infeliz do que alguém cobarde.
Que fuja da vida e do bater do coração.
Quem não guarda a magia nem agarra os momentos.
Quem corre da chuva...
Claro que há mais uma série de coisas que me incomodam e desiludem.
Não gosto de mentiras nem de traições.
Não gosto de birras nem de robes de cetim.
Mas nada é pior do que condenar a felicidade, por se achar já suficientemente feliz.
Ou pior. Saber-se pouco feliz e mesmo assim ser-se cobarde e ter medo do anónimo.
Se assim fossemos todos este mundo era triste como um caixote de cartão velho e molhado, perdido num beco, agasalhado por mantas sujas e rotas e notícias amassadas.
Eu não sou cobarde.
Eu quero sorrir para tudo e todos.
Quero sentir o calor de cada beijo, de cada abraço.
O arrepio da chuva.
Quero viver por mim, em mim e para quem amo.
Passear pelos meus dias.
Beijo.
Boa viagem...